O Papa Leão XIV esteve no Líbano de 30 de novembro a 2 de dezembro. Veio levar uma mensagem de paz e encorajar a presença cristã em um país provado pelo sofrimento. Entre encontros políticos, uma grande celebração eucarística e uma oração silenciosa no porto devastado, esta visita também foi marcada por vários encontros ecumênicos.
Os irmãos e irmãs da Comunidade no Líbano testemunham o que viveram: um momento forte, discreto e profundamente simbólico, a serviço da paz e da unidade.
Tracy Azar – engajada na comunidade – 24 anos
O encontro dos jovens com o papa foi muito mais do que um evento para vê-lo passar em seu carro. Foi uma renovação de oxigênio para nós, jovens libaneses, depois de anos de sofrimento. Foi uma luz de esperança no fim de um túnel escuro, foi o despertar de um sentimento de pertença ao Líbano e à Igreja. Entre os sorrisos, a animação e o louvor enquanto aguardávamos o papa, uma ideia, acompanhada de uma profunda emoção, atravessou meu coração: “Todos nós aqui presentes, 15.000 jovens pertencentes a diferentes comunidades, trabalhamos juntos pelo Reino de Deus nesta terra e, mais especificamente, pelo Reino de Deus em um Líbano e em uma juventude ferida”.
Jornalistas internacionais descreveram este evento como mini-Jornada Mundial da Juventude. De fato, tendo já participado das JMJ, o entusiasmo era o mesmo: multidões, cantos, danças e então… o tempo para, todos se posicionam ao longo dos corredores, os celulares se erguem, todos prendem a respiração, os sinos tocam e um papa sorridente, mas tomado pela emoção, passa entre nós. Ele sobe ao palco, permanece de pé, segura as lágrimas e diz: “Al Salamou Lakom” (Que a paz esteja convosco), uma frase e um discurso que nos devolvem a esperança para o amanhã e nos recarregam para continuar, onde estamos, em nosso país, sendo artesãos da paz!
Maroun El Howayek – JCN – 24 anos
O que me marcou ao chegar a Bkerké foi a dimensão da multidão: milhares de jovens reunidos, não para um concerto ou um evento mundano, mas por um único motivo — encontrar o Papa Leão XIV. Isso me mostrou que, apesar de tudo o que nosso país atravessa, a fé permanece viva no coração de sua juventude.
Durante todo o encontro, surpreendi-me sentindo uma alegria e uma paz interior imensas, sem sequer precisar falar com alguém. Bastava olhar os rostos ao meu redor, rostos luminosos e cheios de esperança.
Mas foi no momento da chegada do papa que algo realmente me marcou. Quando a multidão de repente se comprimiu, quase se empurrou, simplesmente para vislumbrar sua passagem, um pensamento me atravessou: se somos capazes de nos lançar assim para ver o papa, como seria se fosse o próprio Jesus passando diante de nós?
Também fui tocado pela sensibilidade do papa durante esta visita. Via-se em seu olhar que ele sentia profundamente a alegria dos jovens, mas também o peso de tudo o que vivemos: as crises, as provações, os medos… Em alguns momentos, seus olhos pareciam cheios de lágrimas — lágrimas de compaixão tanto quanto de ternura.
E, por fim, houve suas palavras. Elas me recentraram, lembraram-me do que significa ser libanês e cristão nesta terra, e ele nos recordou que temos testemunhas e modelos a seguir: nossos santos, entre eles São Charbel, hoje conhecido no mundo inteiro e cuja luz continua a inspirar milhões de pessoas.
Noriko Isomura – irmã consagrada – 58 anos
Com uma voz forte e cheia de afeto, o Santo Padre nos disse, a nós, os 150.000 fiéis do Líbano que participávamos da missa em Beirute, assim como a todos: “Coragem!” “Sede artesãos da paz, anunciadores da paz, testemunhas da paz!” E gritamos juntos: “Paz! Paz!”
Nunca esquecerei esse chamado do Santo Padre, que me tocou no mais profundo do coração, e o sentimento de fazer parte do grande corpo dos fiéis. Esse sonho de paz está profundamente gravado em nossos corações, pois é o próprio sonho de Deus.
Em sua homilia, o Santo Padre falou do Reino de Deus como uma semente que cresce. Guardo especialmente esse convite a semear os germes do Reino em cada pequeno gesto cotidiano, na convivência e na compaixão para com os mais necessitados, dos quais alguns deram testemunho no encontro dos consagrados e agentes pastorais na véspera, em Harissa. Esse sonho de um “Líbano unido” e o sonho da paz, podemos começar a vivê-los ao nosso redor. Este encontro foi também um momento de comunhão eclesial, no qual senti o chamado à solidariedade e ao dom de si na fé.
A visita do Santo Padre fez renascer a esperança e acendeu em nossos corações o fogo do amor de Deus, do amor pela Igreja e por seu pastor, e por todos os nossos irmãos e irmãs em humanidade, para além das diferenças religiosas.
Raïssa Sfeir – Jovens 14–18 – 14 anos
Naquele dia, tive a impressão de viver um sonho; senti o céu ao meu lado. Como descrever algo indescritível? Papa Leão XVI, obrigada por sua visita. Durante esses três dias, eu estava estudando para minhas provas, mas nada teria me impedido de ver o papa. O dia 2 de dezembro permanecerá inesquecível. Estávamos esperando o Papa Leão XVI em Zouk para saudá-lo. Chorei, mas eram lágrimas de alegria. O dia 3 de dezembro foi um milagre para mim. Ver um arco-íris completo enfeitar o céu naquele dia e ver o papa rezar diante do porto de Beirute, cinco anos após a explosão, trouxe-me paz.
Você acreditaria se eu dissesse que eu o vi? Antes do início da missa, ele passou de papamóvel. Eu estava dividida entre várias emoções. Que momento incrível! A missa começou. Reinava o silêncio. Ele pronunciou a primeira palavra e eu me perguntei se estava sonhando. Os fiéis rezavam humildemente e meu coração transbordava de emoção. A paz reinava e o amor havia tomado seu lugar. Esses três dias, cheios de esperança e de graça, fizeram-me sentir renascer, interiormente purificada.
Shirly Hajj – Jovens 14–18 – 18 anos
Meu nome é Shirley Hajj, tenho 18 anos e faço parte do coral da Universidade NDU. Desde que soube que iríamos cantar na missa do papa, fiquei muito animada. Quando o dia chegou, senti uma emoção impossível de descrever. Fiquei feliz por cantar para Deus e acolher o papa. Uma grande paz me invadiu. Fiquei tão tocada que meus olhos se enchiam de lágrimas com frequência. Ver as pessoas e o Papa Leão XIV sorrindo me emocionou. Naquele momento, senti a paz de Deus.




