Anne-Cathy Graber, irmã consagrada da Comunidade do Caminho Novo, pastora, participou do encontro entre representantes de diversas tradições cristãs realizado em Istambul e partilha conosco sua experiência.
“Quando os responsáveis executivos das Igrejas escolhem partilhar e carregar os fardos uns dos outros…”: este poderia ser o título dos encontros anuais que existem desde 1950 entre os responsáveis das diferentes Comunhões Cristãs Mundiais (“Conference of Secretaries of Christian World Communions”), abrangendo todo o espectro protestante, evangélico e pentecostal, o Dicastério para a Unidade dos Cristãos e vários patriarcados ortodoxos.Quatro dias em que não há nada a negociar! Nenhuma declaração final, nenhum texto ecumênico… muito poucas fotos, quase nenhum relatório oficial… Então, por que responsáveis com agendas sobrecarregadas dedicam uma semana de seu tempo a um encontro sem visibilidade, uma espécie de reunião “a portas fechadas”?Talvez porque saibam que, depois de partilhar os acontecimentos marcantes do ano que passou e os projetos de sua Igreja, cada um será convidado a ousar dizer as vulnerabilidades e tensões que sua família eclesial enfrenta, especialmente no que diz respeito às questões de governança. Cada um se exporá, então, às perguntas (muito livres) dos outros e às suas orações (espontâneas… o que também diz muito sobre a confiança mútua). Essa roda de conversa, com vinte a trinta pessoas, permite uma escuta recíproca que transforma o olhar que temos sobre a instituição do outro — assim como sobre a nossa própria — graças aos questionamentos e encorajamentos mútuos.Neste ano de 2025, por ocasião do aniversário de Niceia, fomos acolhidos pelo Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. O ecumenismo ocupa um lugar central nesses encontros, não apenas pelo fato de estarmos juntos, mas também porque é um espaço favorável para reler este ou aquele diálogo que acaba de ser concluído. É por isso que algumas Igrejas participam desse encontro com seu responsável pelas relações ecumênicas (daí a minha participação).Uma das questões centrais é discernir as consequências concretas de um diálogo ecumênico para a vida concreta das Igrejas. Assim, por exemplo, aquelas que ratificaram a Declaração Conjunta sobre a Justificação se reúnem para identificar as consequências dessas assinaturas comuns. Ou ainda, neste ano, conversamos sobre a possibilidade de um dia comum de “festa da criação”; a escuta das realidades dolorosas vividas na Ucrânia e de suas consequências eclesiais esteve muito presente.
Esses quatro dias são também um terreno fértil para prever outros diálogos e começar a preparar o solo para que eles possam acontecer. Nada de espetacular, portanto! Uma escolha de discrição, de certo silêncio, para escutar as questões colocadas às Igrejas.



